De 24 a 28 de Setembro, na Biblioteca Municipal de Beja

16
Out 09

 

Durante este um ano  o texto da  escritora LUÍSA DUCLA SOARES  iluminou este blog e nosso dia a dia na Biblioteca.Não demos muitas notícias,  mas muita coisa aconteceu : As  PALAVRAS  ANDARILHAS  -Estafeta de contos andarilharam pelo país abraçadas por mais de 80 bibliotecas, escolas e associações. BEM HAJAM!

Trabalhámos com as nossas crianças todos os dias e fomos LIvros nas pontas dos dedos, e Casa onde moram as palavras, Histórias de Colo e Embalo e  Patáti Patátá  e...

  

Fomos Livros Andarilhos e tivemos pais , filhos e professores em volta de dezenas de livros de dezenas de autores

E formámos mais parceiros neste  processo fabuloso que é chamar mais e mais gente para a Leitura.

E recebemos o António Portillo e o seu projecto" Artefactos para contar e criar Histórias", que nos mudou como técnicos e mediadores

 

 E conhecemos o António Manuel Ribeiro e o Vergílio Alberto Vieira e voltámos a conversar com a Margarida Fonseca Santos.

 Fizemos o nosso " Museu do Tempo"  bem em frente da Biblioteca Municipal de Beja e na Aldeia de Santa Vitória e fez-se Memória.

.

 O Figueira Mestre partiu e deixou-nos o legado de manter a cidade acordada. 

 Continuámos com as nossas Mil e uma noites mil e uma histórias.

  Lançamos a nossa Biblioteca Andarilha http://www.bibliotecaandarilha.blogspot.com/  

Recebemos os narradores portugueses para o primeiro encontro entre narradores e eles ofereceram a todas as aldeias do  concelho de Beja 18 sessões de contos a que chamámos  "Contos do Suão ". 

 ... e fomos nomeados ao  prémio ALMA  - Astrid Lindgren Memorial Award e ficamos felizes por nós e por todos os que com seu trabalho, a sua presença, a sua energia e o seu estimulo, fizeram estas " PALAVRAS ANDARILHAS  BEJA  ESTÁ  DE  PARABÉNS!

E TODOS OS QUE AMAM AS PALAVRAS CONTADAS, ESCRITAS E CANTADAS E QUE  DELAS FAZEM INSTRUMENTO DE TRABALHO TODOS OS DIAS ...

TODOS ESTAMOS DE PARABÉNS!

Aqui em Beja prepararam-se já as XI PALAVRAS ANDARILHAS!

publicado por palavrasandarilhas às 13:10

07
Out 08

 

                          ONDE MORAM AS PALAVRAS ?
 
  Moram as palavras nas coisas
 ou as coisas nas palavras ?
 
É mais real
teu rosto
ou o nome
que te foi aposto ?
 
É mais vermelha,
no canteiro , a rosa
ou em pétalas de prosa ?
 
É mais urgente o amor
no coração
ou nos versos de Eugénio de Andrade ?
 
Deram-nos uma casa de sílabas,
um assento de acentos,
dúvidas devidamente pontuadas,
os nossos sentimentos
só vibram
com pontos de exclamação !
 
Acordamos com a palavra
manhã
mas as letras cansadas da palavra
cansaço
escondem o sol nosso de cada dia.
 
E, quando a noite vier,
que seremos nós
senão um epitáfio
que ninguém lê ? 
 
Luisa Ducla Soares
publicado por palavrasandarilhas às 17:18

 

Recebemos hoje as fotos que o colega Zé Maria fez  desta edição. 

Passo uma a uma e recordo cada momento, cada respirar e paro nas fotografias da Virginia Dias e na sua capacidade de reflectir sobre a sua própria estória.

 

Há qualquer coisa na forma como o faz que a torna única, irrepetível. Partilha os seus sonhos e utopias contando, cantando dizendo os textos que escreveu  e que falam desse impossível tornado realidade : Ser Mulher inteira num Alentejo onde, como dizia Manuel da Fonseca  : " A casa era para as mulheres. No fundo das casas, escondidas na rua, elas penteavam as tranças, compridas como caudas de cavalos; trabalhavam na sombra dos quintais, sob as parreiras; faziam a comida e as camas – viviam apenas para os homens. E esperavam-os submissas."

Falar da Virgínia é falar de alguém que já fez as contas com a vida e aí está madura, plena, de bem com a vida. Quando for grande quero ser como ela. Taquelim 

publicado por palavrasandarilhas às 12:40

 

Entendendo pouco, ou quase nada, da arte do(s) afecto(s) e do(s) olhare(s), que é a arte de contar histórias… ia povoando o imaginário dos meninos e das meninas que passavam pela Biblioteca Municipal de Pombal…
Estávamos em 1998 e, na minha mesa de trabalho, uma folha de papel chamava a minha atenção e, nela, o título “ESTAFETA DE CONTOS”… desafiava-me… provocatório… olhei-o e, numa primeira investida, deixei-me enamorar… Recebemos Torres Vedras e levámos o testemunho a Montemor-o-Velho… nasceram amizades… a Graça e o Craveiro…
Nem sequer desconfiava que esta passagem de testemunho era o caminho secreto para uma cidade encantada, com “PALAVRAS ANDARILHAS”… e nem tão-pouco sabia que, no dia em que nela entrasse e provasse a sua poção mágica, não voltaria a deixar de procurar a sua direcção… Dentro de mim guardava apenas uma certeza escondida, a vontade de encontrar palavras e emoções.
A insegurança tomou forma de querer e a timidez escondeu-se no sorriso… o autocarro partiu …Beja, 1998.
E naquela cidade caiada de sol e de encanto, uma equipa de laboriosos arquitectos de sonhos... ia dando a provar o sabor das palavras... dos afectos transformando-nos em aprendizes de contar!
Aqueles 20 aprendizes do contar que provaram, naquele ano, o sabor das palavras andarilhas... desassossegaram... as cidades... os campos.... por onde iam passsando de regresso a casa e, no ano seguinte vieram de todo o país.
E daí para cá, quando na primeira vez houve um primeiro mês, a Biblioteca de Beja não mais deixou de receber mundos e mundos de andarilhos, que todos os anos vêm provar a entrega de todos os que aqui trabalham e sonham e acreditam que é preciso dar voz às palavras.
 
Ana Maria Cabral
Pombal, Setembro 2008
 
publicado por palavrasandarilhas às 11:09

Andarilhando

 

            Em fins de Setembro todos os caminhos vão dar a Beja, a uma biblioteca sem sono, onde palavras que moram em livros acabadinhos de sair, resgatadas de poeirentos arquivos ou da memória de um povo, são entregues, como sementes, aos cuidados de todos os que são mediadores de leitura, espalhando, generosamente, o gosto de estar desperto por outros lugares

            Encontro de Aprendizes do Contar, as Palavras Andarilhas fizeram dez anos de muitas histórias de pessoas. Testemunhos comoventes. Palestras brilhantes, alicerçadas na investigação. Partilha de experiências e saberes.

            Não há cânones. Há doutores e muitos mas é o nome próprio que é usado para o que foi inventado: chamar. Boniface OFogo N'Kama, nascido nos Camarões, excelente contador de histórias, com um doutoramento em Filologia Hispânica, chamado carinhosamente por Boni. Ele e muitos outros contadores exemplificaram bem como a arte de narrar enriquece e privilegia a transmissão do saber. Patricio Espinosa do Chile trabalha concretamente essa proposta, útil para professores. Ouvimos Pepito Mateo de França, Rodolfo Castro, argentino que vive no México, o nosso António Fontinha… O excelente e comovente monólogo de Ligya Bojunga sobre os livros da sua vida deixa no ar a pergunta: porque não há livros desta senhora publicados em Portugal? Como não há Monteiro Lobato, Bartolomeu Campos Queirós… A que nos serve o acordo ortográfico com tão grande desacordo sobre o destino dos livros. Ou o Brasil só interessa enquanto mercado a explorar economicamente? 

            Haverá cânones, há listas, mas interessa sobretudo haver pessoas a fazer pontes. Porque dizer a um miúdo que deve ler um livro, porque a sua história é a mais bela metáfora do destino do Homem não é suficiente. Resulta sim saber falar dele. Saber ler a ilustração se a tiver. Saber contar, ler em voz alta ou saber que há livros que só despertam no silêncio. Resulta ter consciência que os livros são descobertas individuais. Não podemos despertar epifanias por imposição. Se uns perseguem baleias, outros seguem tartarugas, outros são perseguidos por lobos…

            De regresso a casa o Nuno Marçal há-de levar incentivo para continuar a percorrer com a sua carrinha, o Bibliomóvel, as aldeias de Proença a Nova quebrando isolamento e solidão.

            Cristina Taquelim, a mulher orquestra, como Miguel Horta carinhosamente lhe chamou, é o rosto mais visível da pequena grande equipa da Biblioteca José Saramago. Juntos programam, organizam, roubam espaço à cave, precatam-se da chuva, apagam todos os fogos ateados ao bem receber, durante três dias, trezentas pessoas numa biblioteca, mantendo-a aberta para todos os seus utilizadores habituais.

            Sabem como é difícil acordar as cidades. Todos os aplausos são merecidos.

 

Sílvia Alves

 

  

publicado por palavrasandarilhas às 10:29

02
Out 08

 

 

 

Quem não sabe o que são as Palavras Andarilhas ?

 

 

                    Uma noite memorável com Boni o narrador dos Camarões

 

Feira do Livro e da Leitura - uma aposta feita nos livreiros

 

 

publicado por palavrasandarilhas às 11:13

01
Out 08

Hoje chegámos à biblioteca bem tarde mas mais desejosos que nunca em abrir as  portas da "Casa das Palavras".

 

Não pensem os mais distraídos que o trabalho acabou!

Depois de pôr ordem no espaço e nas emoções, fazem-se contas, recolhem-se os recados deixados ao acaso por quem não teve tempo de se despedir, ou não conseguiu vencer a comoção e resolveu escrever a giz , na parede o seu obrigado.

 

Passámos pelo secretariado, pela gruta, pelo cine estúdio e apesar do cansaço, das olheiras até ao umbigo,  temos a certeza de ter feito o nosso melhor.   Uma lágrima assoma ao canto do olho e entre arrumações contamos as histórias invisíveis desta X Edição .

 

Estamos de mangas arregaçadas, preparando o ano de trabalho que nos espera , para a cidade com quem trabalhamos todos os dias. Obrigada a quem veio de fora nos visitar. Obrigado a quem é da cidade e nos deu um pouco do seu tempo .

 

Ainda sem energia para grandes escritas deixamos alguns apontamentos fotográficos para deleite de todos . Até 2010 !

 

publicado por palavrasandarilhas às 16:23

24
Set 08

 

 

Hoje é o grande dia! Bem-vindos à Biblioteca de Babel!

publicado por palavrasandarilhas às 10:44

22
Set 08

 

Estamos a preparar tudo debaixo de chuva! Traga o casaco!

publicado por palavrasandarilhas às 10:45

 

 

José Manuel Pedrosa é professor de Literatura e Literatura Comparada da Universidade de Alcalá, Madrid (Espanha). É ainda autor e editor de uns quarenta livros no âmbito da literatura oral e da antropologia cultural. É co-director das Revistas Culturas Populares e Oráfrica.
 
São suas estas palavras:
Si imaginásemos libremente, fuera de códigos compartidos, pactados con otros, nadie podría entender nuestros relatos.”
 
 
Às Palavras Andarilhas José Manuel Pedrosa traz uma conferência sobre "Contar en tiempos de crisis", no dia 28 e a 27, uma oficina intitulada: "La lógica de la imaginación".



 


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